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segunda-feira, 5 de maio de 2014

A Erosão e seus agentes

Erosão é o conjunto de processos que promovem a retirada e transporte do material produzido pelo intemperismo, ocasionando o desgaste do relevo. Seus principais agentes são a água, o vento e o gelo.

O material transportado recebe o nome de sedimento e vai dar origem aos depósitos sedimentares que, através da diagênese, transformam-se em rochas sedimentares. Chama-se de diagênese um conjunto de transformações que, em resumo, consistem em compactação e cimentação dos sedimentos, dando-lhes a consistência de uma rocha.

A erosão é importante por ser responsável pela perda anual de milhões de toneladas de solo fértil, devida principalmente a práticas equivocadas de ocupação e manejo do solo. Essa perda é praticamente irrecuperável, pois exige muito tempo para ser realizada.

A erosão pode ser de vários tipos, conforme o agente que atua:

--> Erosão pluvial

É aquela provocada pela água das chuvas. Como foi dito, a água é um dos principais agentes erosivos. Sua ação é lenta, mas pode ser acelerada quando ela encontra o solo desprovido de vegetação, como nas áreas desmatadas.

Se o terreno tem muita vegetação, o impacto da chuva é atenuado porque a as plantas diminuem a velocidade da água que escorre pelo solo. As raízes, por sua, vez, dão mais resistência à estrutura do solo e aquelas já mortas funcionam como canais, favorecendo a infiltração da água.

Sem vegetação, o solo fica saturado em água mais rapidamente e, como consequência, ela passa a fluir pela superfície, deixando de se infiltrar. Tudo isso fica agravado se o solo for arenoso, e não argiloso.

A primeira ação da água é através do salpicamento, que é a desagregação dos torrões e agregados do solo pelo impacto dos pingos de chuva. Esse impacto provoca também a selagem, uma obstrução dos poros do solo pelo material mais fino, o que resulta numa redução da infiltração e consequente aumento do fluxo de água superficial.

Erosão pluvial Ravinas no vulcão Bromo, ilha de Java Fonte: G1

O fluxo de água pela superfície leva à formação de ravinas, como na imagem acima, e quanto mais água houver, mais acelerado será o ravinamento, de modo que ele aumenta à medida que a água avança morro abaixo.

Outro tipo de erosão pluvial é a erosão remontante, que abre, no solo, sulcos que podem atingir grandes dimensões e que crescem morro acima (daí o nome), ao contrário do ravinamento. Esses sulcos recebem o nome de boçorocas (ou voçorocas) e começam a se formar quando o ravinamento atinge o lençol freático. Daí em diante, progridem de modo muito difícil de controlar, pois não mais dependem da ocorrência de chuvas para aumentar de tamanho.

--> Erosão fluvial  

É aquela causada por rios, perenes ou temporários. É semelhante à erosão pluvial, mas em escala maior e em regime permanente ou pelo menos mais prolongado que a erosão pluvial

Erosão fluvial Grand Canyon, Colorado (EUA)

--> Erosão marinha (abrasão)

A água do mar provoca erosão através da ação das ondas, das correntes marítimas, das marés e das correntes de turbidez. Seu trabalho é reforçado pela presença de areia e silte em suspensão. A cidade de Olinda, em Pernambuco, é um local em que a erosão marinha tem agido de modo preocupante, com o mar avançando sobre a cidade.

Erosão marinha La Portada, Chile Fonte: wikipedia commons

As correntes marinhas transportam grandes volumes de sedimentos de uma área para a outra. A ação das correntes de turbidez não é percebida, porque elas atuam entre a plataforma continental e o talude continental.

--> Erosão glacial

É a erosão provocada pelas geleiras (também chamadas de glaciares). A água que se acumula nas cavidades das rochas no verão, congela quando chega o inverno, sofrendo dilatação. Isso pressiona as paredes dos poros, rompendo a rocha. A cada ano, o processo se repete, desagregando, aos poucos, a rocha.

Essas massas de gelo deslocam-se muito lentamente, mas têm uma enorme capacidade de transporte, podendo carregar blocos de rocha do tamanho de uma casa. Quando derretem, geram depósitos sedimentares muito heterogêneos, chamados de morenas ou morainas.

--> Erosão eólica

É aquela decorrente da ação do vento. Ocorre em regiões áridas e secas, onde existe areia solta, capaz de ser transportada pelo vento, que a joga contra as rochas, desgastando-as e dando origem, muitas vezes, a formas bizarras, como se vê na figura abaixo:

Erosão eólica no Salar de Uyuni (Bolívia) Fonte: Wikipedia Commons

Ao contrário do que pensam muitas pessoas, não foi a erosão eólica, e sim a chuva, que formou as estranhas feições que tanto atraem os turistas em Vila Velha, no Paraná.

Outra feição típica do ambiente desértico são os ventifactos, blocos de rocha de tamanhos variados que aparecem soltos no chão e que exibem faces planas formadas pelo impacto contínuo da areia. Eles são úteis porque a posição dessas faces indica a direção preferencial dos ventos no local.

Os grãos de areia podem ser levados a distâncias enormes por suspensão e já se constatou a presença de areias provenientes da África na Amazônia brasileira. A suspensão forma grandes depósitos arenosos, chamados de loess e é responsável também pelas tempestades de areia.

--> Erosão antrópica

É a erosão causada pela ação do ser humano. Em geral não tem grande influência, por que sua ação é de duração muito curta, Mas, nossa capacidade de remover grandes massas de terra ou de rocha é cada vez maior e a erosão antrópica tende a ser cada vez mais significativa.

O plantio sem levar em conta o regime de escoamento das águas naturais, pode provocar ravinamento e formação de boçorocas. A ocupação de áreas impróprias para a construção de moradias, como morros de alta declividade, gera escorregamentos de solo, com danos materiais e mortes. A impermeabilização de superfícies, como a pavimentação de ruas, impede que a água da chuva se infiltre e favorece as inundações em áreas urbanas.

Deve-se ter em mente também que a ação humana, embora de pequena expressão, pode ser o início de um grande processo erosivo. Assim, o desmatamento na Amazônia pode facilmente levar a área desmatada a uma desertificação, porque o solo daquela região é muito arenoso e pouco espesso. A vegetação só é exuberante porque se desenvolve sobre restos orgânicos da própria mata, e eles desaparecem rapidamente quando há o desmatamento.

 

Fonte: Comunitexto

Mais informações sobre erosão: CPRM

segunda-feira, 24 de março de 2014

O quebra-cabeça chamado Geotecnia

Geotecnia é a aplicação de métodos científicos e princípios de engenharia para a aquisição, interpretação e uso do conhecimento dos materiais da crosta terrestre e materiais terrestres para a solução de problemas de engenharia. É a ciência aplicada de prever o comportamento da Terra e seus diversos materiais, no sentido de tornar a Terra mais habitável para as atividades humanas.

A geotecnia abrange as áreas de mecânica dos solos e mecânica das rochas, e muitos dos aspectos de engenharia da geologia, geofísica, hidrologia e ciências afins. Geotecnia é praticada tanto por geólogos de engenharia e engenheiros geotécnicos.

Para entendermos melhor a Geotecnia e suas respectivas áreas, aplicamos aqui em no Portal Comunitexto o esquema que a Revista European Federation of Geologists publicou em sua revista. A Editora Oficina de Textos traduziu esse ótimo quadro! Veja abaixo:

Figura: A Geotecnia em uma perspectiva moderna: as principais áreas científicas – geociências (geologia e geomorfologia), mecânica dos solos, mecânica das rochas. Fonte: European Federation of Geologists magazine – “Industrial minerals – materials in our everyday life” pg. 26.

Fonte: Oficina de textos

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Maior vulcão da terra é descoberto no Oceano Pacífico

Um vulcão do tamanho do Novo México ou das Ilhas Britânicas foi identificado sob o Oceano Pacífico, cerca de 1.600 km a leste do Japão, tornando-se o maior vulcão da Terra. Chamado de Tamu Massif, pensava-se que este gigante era um composto de estruturas menores. Depois de estudar amostras de rochas, o grupo de cientistas da Universidade de Houston, nos Estados Unidos, acredita que o vulcão é o responsável pela formação da cordilheira submarina Shatsky.

William Sager, professor do Departamento de Ciências Atmosféricas e da Terra da Universidade de Houston, começou a estudar o vulcão há 20 anos. Os cientistas já sabiam sobre a cadeia montanhosa submarina Shatsky desde o início do século 20, quando foi mapeada, segundo Sager: “Sabíamos que era uma grande cordilheira, mas nós não sabíamos o que a estrutura era e como se formou”. Até então os cientistas pensavam que a ascensão Shatsky era um composto de vários vulcões, em um processo similar à forma como a principal ilha do Havaí formada pela erupção de cinco vulcões separados que estavam nas proximidades.


Localização

Tamu Massif mede cerca 450 por 650 km ou mais de 100.000 quilômetros quadrados. Seu topo fica a cerca de 2.000 metros abaixo da superfície do oceano, enquanto a base se estende até cerca de 6,4 km de profundidade. Tamu Massif supera o maior vulcão ativo na Terra, Mauna Loa, no Havaí, que mede cerca de 200 quilômetros quadrados, ultrapassando até o famoso Monte Olimpo de Marte.

Megavulcões: Tamu Nassif não é tão alto quanto Mauna Loa, mas é o mais extenso vulcão da terra ultrapassando o Monte Olimpo em Marte. Fonte: http://www.nature.com

Além do tamanho, o Tamu Massif também se destaca por seu formato: é um vulcão-escudo, nome dado aos vulcões que têm forma de uma larga montanha, com o perfil de um escudo. Ele é relativamente baixo e amplo, o que indica que a lava expelida deve ter percorrido longas distâncias antes de resfriar, diferentemente da maioria dos vulcões, que costumam ser pequenos e verticais.

A inclinação no interior das camadas de lava do vulcão Tamu Massif indica que este se formou a partir de uma abertura vulcânica central. Fonte: William Sager, University of Houston.

A equipe de pesquisadores estudou amostras de núcleo e constatou que a enorme massa de basalto que compõe o vulcão entrou em erupção a partir de uma única fonte. A equipe também realizou análises geoquímicas a partir de amostras do núcleo extraídas do maciço e descobriram que a enorme estrutura era composta da mesma rocha e da mesma idade.
Na descoberta publicada no jornal científico Nature Geoscience os cientistas da Universidade dizem, contudo, acreditam que possam ainda existir outros vulcões maiores, mas que simplesmente não foram encontrados. Até lá este será o maior do sistema solar.

Fonte: Comunitexto



sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Comunidade geológica em LUTO

Universitário do Pará que sumiu no Tocantins é encontrado morto. Corpo estava a 15km de onde o jovem foi visto pela última vez. Alunos de geologia da UFPA faziam treinamento na região norte do TO.

O estudante de geologia da Universidade Federal do Pará (UFPA) Yego Cunha Leal, de 21 anos, foi encontrado morto no final da manhã desta quarta-feira (28), na região de Babaçulândia, extremo norte do Tocantins. Ele estava desaparecido desde o último domingo (25), quando fazia um treinamento de mapeamento geológico no local.

Conforme informações do Corpo de Bombeiros, o corpo estava embaixo de uma árvore, a 15 km do lugar onde o jovem foi visto pela última vez. Ainda segundo bombeiros que participaram das buscas, não foram verificadas marcas de violência no corpo do jovem. Uma hipótese é que ele tenha morrido por desidratação, já que estava em um local onde é muito quente nessa época do ano. A área foi isolada para aguardar a chegada da perícia.

O corpo foi levado para o Instituto Médico Legal de Araguaína, cidade a cerca de 60 km do local. Conforme informações da perícia, uma primeira avaliação sugere que Yego pode ter morrido há dois dias.

Desde segunda-feira (26), os bombeiros faziam buscas para encontrar o jovem. E na terça-feira, os policiais receberam uma informação falsa sobre o paradeiro e o estado de saúde de Yego, se deslocaram até o local indicado, a Serra do Cavalo, mas não acharam o rapaz. A namorada do estudante, Milena Costa, também recebeu a notícia de que Yego havia sido resgatado com vida e chegou a comemorar. Milena acreditava que o desaparecimento de Yego seria "apenas um susto", e fazia planos para reencontrá-lo assim que ele fosse resgatado.

Os colegas de Yego Cunha Leal, que permanecem no Tocantins, estão abalados com a notícia da morte dele. Felipe Oliveira, um dos amigos do estudante, conheceu Yego antes mesmo de ingressarem no curso de geologia da UFPA. "Nós fizemos cursinho juntos lá em Belém. O Yego é de uma cidade perto de Belém e por isso escolheu fazer cursinho lá. Foi onde a gente se conheceu", relata.

De acordo com Oliveira, o jovem era apaixonado pelo curso de geologia e muito querido pelos colegas. "Ele gostava de fazer piadas e é um cara companheiro. Não é à toa que todos ficamos aqui", desabafa. O colega conta que a turma está no quinto dos dez períodos do curso e que Yego já tinha experiência em atividades de campo: "Esta é a quarta vez que a gente vem ao Tocantins. O Yego conhecia bem esta região."

No último domingo (25), o grupo de estudantes participava de um treinamento de mapeamento geológico na região entre Babaçulândia e Wanderlândia, norte do Tocantins, quando dois colegas de Yego teriam passado mal por insolação. Ele, acompanhado do professor Antônio Emídio de Araújo Santos Júnior, foram buscar o carro para socorrê-los. No caminho Yego também teria passado mal pela mesma razão. O professor pediu que ele esperasse no local até que voltasse com o carro, mas quando retornou o estudante havia sumido.

ufpa-maraba-estudante-yego-cunha-lealCorpo de estudante foi encontrado embaixo de uma árvore (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

terça-feira, 9 de abril de 2013

A profissão de oceanógrafo

A oceanografia está enquadrada entre as Ciências Exatas e da Terra, consistindo basicamente na investigação das características bióticas e abióticas de mares, rios, lagos e oceanos, assim como os processos que afetam estes ambientes.

A formação técnico-científica em oceanografia fornece os conceitos necessários para pesquisar os seres animais e vegetais que compõe a biodiversidade marinha, os fenômenos climáticos que interferem nestes ambientes e a composição do solo e das águas.

Nos últimos 30 anos, esta área sofreu uma expansão, graças a aquisição de navios oceanográficos, satélites artificiais, bóias automáticas, e um enorme avanço na computação e em técnicas de análise. Confira abaixo como iniciar os estudos nesta área e maiores detalhes sobre o mercado de trabalho para oceanógrafos.

Como está o mercado de trabalho?

A profissão foi regulamentada em 2008, fator que ampliou seu reconhecimento social e as ofertas de emprego no setor. Outro detalhe que impulsionou esse mercado de trabalho foi a mudança nos paradigmas sociais, que levaram empresas a se preocuparem com o crescimento sustentável.

Com isso, as melhores oportunidades estão nas consultorias ambientais que prestam serviços a empresas privadas, como a petrolífera Shell, ou relacionadas às áreas de mineração, pesca e meteorologia. Projetos ligados a organizações não governamentais (ONGs) e concursos públicos também oferecem boas oportunidades.

Em relação aos salários, a Associação Brasileira de Oceanografia estima que a média mensal destes profissionais varia entre R$ 2.500,00 e R$ 3.000,00. Apesar disto, este valor pode chegar até R$ 10.000,00 para cargos de gerência.

Entre as principais funções do oceanógrafo estão o monitoramento e gerenciamento de projetos para conservação de áreas costeiras e recursos marinhos renováveis e não-renováveis, o exercício da aqüicultura, supervisionando o cultivo de organismos aquáticos em cativeiro, a atuação em parques marinhos e a elaboração de estudos de impacto ambiental.

Cursos

Os dois primeiros cursos de graduação do Brasil foram criados na década de 1970, sendo o primeiro em 1971, pela Fundação Universidade Federal do Rio Grande (FURG), e o segundo em 1977, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Atualmente existem treze cursos de oceanografia no Brasil, como apontou a Associação Brasileira de Oceanografia. Todos têm a duração de cinco anos e permitem a pesquisa aplicada em áreas de biologia, física, geologia ou química. Confira as diferenças entre cada uma delas:

Biológica: estuda a biodiversidade e os ecossistemas marinhos;

Física: analisa as correntes, marés e fenômenos climáticos;

Geológica: pesquisa a composição do solo marinho e dos fenômenos geofísicos

Química: tem o foco na composição das águas e a forma de recuperar ambientes aquáticos degradados ou em processos de degradação.

Em relação à grade de aulas, o Guia do Estudante pontuou que muitos cursos reservam parte da carga horária para aulas práticas e outra para matérias teóricas como cálculo, estatística, química, geologia, biologia, ecologia aquática, sistema oceano, física, bioquímica, geofísica, aqüicultura, biologia pesqueira, sistemas e processos costeiros e poluição marinha. Confira abaixo algumas das melhores universidades para cursar oceanografia, segundo o Guia do Estudante, e entre de vez nesta área:

Fonte: Comunitexto